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Sumario / Agosto 2010

Segredos do fundo. Pág 2. Mergulhamos no Stargate, varrendo o vazio com as lanternas. Quinze metros abaixo da superfície, espreita-nos uma névoa pálida, menos fumarenta do que fibrosa, semelhante a uma rede prateada de teias de aranha ténues e espiraladas, pairando imóveis sobre a escuridão.

O vale das baleias. Pág 22. Um manto de sedimentos foi-se acumulando sobre os ossos ao longo de milhares de milénios. As águas do mar recuaram, o antigo leito transformou-se num deserto e a erosão começou a desgastar as rochas existentes sobre as ossadas. Lentamente, o mundo mudou. As alterações na crosta terrestre empurraram a Índia em direcção à Ásia, elevando os Himalaia. Em África, os primeiros antepassados humanos ergueram--se sobre as pernas para caminhar. Os faraós construíram as pirâmides. Deu-se a ascensão e a queda de Roma. E, enquanto tudo isso acontecia, a erosão continuava a sua paciente escavação. Um dia, apareceu Philip Gingerich para completar a tarefa.

Território nativo. Pág 42. No território entre a cidade onde nasceu a bomba atómica e um vale no rio Grande onde abundam casinos índios, há algo de novo a despontar: um regresso ao antigamente. Aqui, no desfiladeiro de Santa Clara, no estado do Novo México, uma tribo nativa-americana está a recuperar o território dos seus antepassados. Numa escarpa vulcânica 60 metros acima do ribeiro de Santa Clara, localizam-se as habitações de Puye Cliffs, centenas de quartos integrados em edifícios talhados na rocha, que se juntam a setecentas casas abertas na tufa macia das falésias mais abaixo.

O reino da pradaria. Pág 60. O rinoceronte-indiano unicórnio parece ter escudos aparafusados ao traseiro e pesa tanto como um todo-o-terreno. Só o rinoceronte-branco africano é maior. Em contrapartida, só o rinoceronte de Samatra (com uma população de 350 animais ou mesmo menos) e o rinoceronte de Java (50 ou menos) estão mais ameaçados. Outrora comum do Paquistão a Myanmar, o rinoceronte-indiano é actualmente representado por menos de 2.700 animais. De acordo com o censo mais recente, cerca de dois mil vivem no Parque Nacional de Kaziranga, uma reserva de 860 quilómetros quadrados que integra 80 quilómetros do rio Bramaputra com as suas ilhas de areia, algumas zonas a norte e uma região muito maior da planície de cheia a sul. Se excluirmos o rio, o parque tem uma densidade média de quatro rinocerontes primitivos, blindados e irritáveis por quilómetro quadrado.

A última fronteira de África. Pág 80. Dunga Nakuwa põe as mãos em concha, pousando sobre elas o rosto, e recorda a voz da mãe. Ela já morreu há quase dois anos, mas para a tribo de Dunga os mortos nunca andam longe. Nas aldeias, eles são enterrados por baixo das cabanas dos vivos, separados por um único metro de solo ressequido. Também permanecem perto em espírito. É por isso que Dunga ainda ouve a mãe: quando irás tu vingar-te do assassino do teu irmão?