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Na Unidade Residencial de Longa Duração de Weverbos, na cidade belga de Gent, esta residente de 94 anos desejava um robot que dançasse enquanto ela tocava piano. Fabrice Goffin, director-geral-adjunto da ZoraBots, acha que o tamanho diminuto do robot lhe dá uma aparência infantil, com apelo para os mais velhos. “A sinceridade de uma criança não emite juízos”, diz.

No futuro, os robots poderão prestar assistência aos idosos e confortá-los, ajudando a suprir a carência de prestadores de cuidados de saúde.

Texto: Claudia Kalb
Fotografias: Yves Gellie

Goldie Nejat começou a desenvolver robots, em 2005 e passou muito do seu tempo a bater a várias portas, na esperança de demonstrar os seus protótipos de tecnologia avançada. Nessa época, o mundo dos cuidados de saúde mostrou-se hesitante. “Agora, é o contrário”, explica esta professora de Engenharia Mecâ- nica na Universidade de Toronto. “Há pessoas em todo o mundo a contactarem-me para per- guntar ‘Quando estará pronto o seu robot?’.”

As máquinas de Goldie Nejat, conhecidas como robots de assistência social, são concebidas para se relacionarem com os seres humanos e podem ajudar a satisfazer uma neces- sidade urgente: a prestação de cuidados a idosos. Segundo projecções globais, a população com idade superior a 80 anos deverá triplicar a nível mundial: de 143 milhões de 2019 para 426 milhões em 2050.

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Uma residente de uma casa de repouso na cidade francesa de Clamart, voluntariou-se para se comportar como madrinha do robot. Fez-se retratar comemorando o aniversário do robot e decorou a sua cadeira de rodas com balões.

Estes robots poderão ser particularmente úteis para pa- cientes com doença de Alzheimer, ou demência, porque os robots podem ser programados para prestar assistência de todos os tipos, desde lembretes para a toma de medicação a orientação de exercícios. Os robots também podem ajudar a organizar jogos de tabuleiro ou de memória para manter os pacientes cognitivamente activos.

Inspirado pelo potencial dos robots para ajudar os mais ve- lhos, o fotógrafo francês Yves Gellie passou dois anos a criar o filme “Year of the Robot”, galardoado em 2019, que docu- menta interacções entre idosos e robots em unidades de cui- dados de longa duração, em França e na Bélgica. No filme, Yves e a sua assistente, Maxime Jacobs, humanizam os ro- bots, permitindo interacções activas entre seres humanos e máquinas. Em cenas que parecem futuristas, pessoas tocam piano, dançam e até partilham segredos, entre lágrimas, com os seus companheiros robóticos.

Depois de terminar o filme, Yves Gellie desenvolveu um projecto fotográfico relacionado com o filme, no qual pediu a alguns dos participantes no filme para imaginarem o seu cenário de sonho com um robot. O que mais gostariam de fazer? Nas imagens aqui mostradas, ele documentou as inte- racções das pessoas com os robots após meses de observação. O projecto não tinha intenções terapêuticas nem pretendia mostrar as capacidades reais dos robots. A intenção era ex- plorar a capacidade dos seres humanos para estabelecer re- lações com máquinas.

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O fotógrafo Yves Gellie apresentou o robot a pessoas idosas ao longo de meses, sem expectativas de que todas o acolhessem de forma calorosa. Algumas não se mostraram interessadas, mas outras estavam ansiosas por interagir com ele. Esta mulher de Paris disse que o robot a ajudou a esquecer-se onde estava. Adora livros e disse que iria ler para o robot.

Os críticos temem que os prestadores de cuidados ro- bóticos possam eliminar a interacção humana, bem como empregos. No entanto, o objectivo é dar apoio ao cuidado prestado por seres humanos e não substituí-lo, explica Brian Scassellati, responsável pelo Laboratório de Robótica Social da Universidade de Yale. Ele testou robots com uma série de pacientes e concluiu que a interacção diária com robots pode ajudar crianças com perturbações do espectro autista a melhorarem o contacto ocular e as competências sociais.

A psicóloga cognitiva Maribel Pino, directora executiva do Laboratório Broca Living, de uma rede hospitalar parisiense onde várias destas fo- tografias foram captadas, descreve a interacção entre as pessoas fotografadas e os robots como genuínas. Depois de passarem tempo com um robot, muitos idosos ficaram apegados a ele.

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Esta residente de Maison Ferrari disse que gostaria que um robot a ensinasse a jogar basquetebol. Concebido pela SoftBank Robotics, este robot não foi programado para isso. No entanto, o seu software, elaborado pela ZoraBots, na Bélgica, pode ajudar a executar uma série de tarefas, incluindo a prática de exercício físico.

À medida que este campo se desenvolve, os cientistas pretendem compreender melhor a di- nâmica entre seres humanos e robots. Poderão os robots proporcionar a vantagem de não emiti- rem juízos de valor? Será a falta de emoção útil? Irão os pacientes perder o interesse?

Segundo Brian Scassellati, há uma vantagem evidente: os robots conseguem prestar cuidados personalizados, a pedido, e essa necessidade aumentará no futuro.

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