via romana de geira

A Via Romana n.º 18 do Itinerário Antonino ainda ostenta vários marcos miliários (a maior concentração do mundo romano que nos chegou), embora não exista a certeza se estão na posição original ou se foram reposicionados em época posterior.

Geira, Via Nova e Via XVIII do Itinerário de Antonino são os nomes da estrada romana mais bem preservada de Portugal.

Texto: Paulo Rolão
Fotografias: Carlos Pontes

Do legado deixado pelos romanos, sobressaem a arquitectura, as artes, a língua, a poesia, a música, mas há algo mais duradouro deixado por esta civilização: uma rede notável de estradas e caminhos a que chamavam vias. Era uma das melhores formas de ligarem pontos estratégicos e, ao mesmo tempo, consolidarem o ideal de um mundo todo romano. Como Roma era o centro do império, todos os caminhos teriam de dar à capital romana.

É difícil imaginar todo o esforço e tenacidade de quem construiu as vias romanas, não só pelo talhe, colocação e calcamento das pedras, mas também por terem de rasgar caminhos muitas vezes em locais inóspitos e improváveis.

Uma vez consolidado e pacificado o Império, destacavam-se duas importantes cidades no Noroeste da Península Ibérica: Bracara Augusta (Braga) e Asturica Augusta (Astorga) que teriam de ser ligadas entre si.

Uma primeira estrada contornava a serra do Gerês, passava por Aquae Flaviae (Chaves) e seguia para o destino final, mas era um caminho difícil e moroso. Surgiu então a ideia de construir uma nova via, que facilitasse em rapidez a viagem entre as duas cidades. Caio Calpetano Râncio Quirinal Valério Festo, governador romano da Hispânia Citerior, inaugurou a Via Nova sob patrocínio do imperador Vespasiano. O novo traçado entrava pela serra do Gerês adentro. Pode ter sido árdua a sua construção, mas quem a fez teve pelo menos a recompensa de trabalhar num lugar de enorme beleza e imponência.

via romana de geira

A Via de Geira partia de Bracara Augusta, seguia pelo Gerês (abrangendo o concelho de Terras de Bouro), passava pela Portela do Homem (que faz hoje de fronteira entre Portugal e Espanha) e terminava em Asturica Augusta, num total aproximado de 320 quilómetros. E, por “portas travessas”, iria dar a Roma. Todas iam lá dar. Talvez por o itinerário abranger locais prístinos, a Via de Geira é a mais bem conservada da Península Ibérica e da qual mais marcos miliários (colunas colocadas em intervalos de mil passos para fazer a contagem da milha específica e com a informação suplementar da distância a que se estava do fórum de Roma) sobreviveram.

Se no passado era utilizado por romanos (naturalizados ou não) a Via de Geira tem sido calcorreada por gente de muitas gerações. Os povoados aproximavam-se quando dispunham de uma estrada. Mais tarde, os peregrinos usaram-na para chegar a Santiago de Compostela. Hoje, é requisitada pelos amantes das caminhadas e da natureza. Passear pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês em qualquer época histórica é sempre uma experiência prazerosa.

mapa gerês

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