aguarela

Pelo pincel da artista Inna Korneeva, a capital portuguesa fica gravada em pranchas repletas de vida e arte, captando a essência e cores de uma cidade cosmopolita.

Ilustrações: Inna Korneeva

Nos filmes de Alain Tanner, Lisboa é quase branca. Nas telas de Arpad Szenes, a capital torna-se amarela. Quais são afinal os tons dominantes de Lisboa?

Desde pequena, Inna Korneeva sempre adorou desenhar. A mãe comprava-lhe álbuns com reproduções de trabalhos de artistas, avidamente estudados pela criança nascida em 1978 na pequena cidade de Sosnovoborsk, na região de Penza (Rússia). Ivan Shiskin, Vasily Perov e Vincent van Gogh foram as influências mais acutilantes dessa época. A artista não chegou a seguir um curso de Artes e especializou-se em engenharia florestal. Acabou, porém, por concretizar a sua vocação mais tarde. “O meu trabalho actualmente é na área de arquitectura paisagística. Continuo a desenhar, mas desenho jardins”, brinca.

Viajante regular, Inna é também fotógrafa e ilustradora. Mantém sempre consigo um diário de viajante, anotando as impressões sobre cada local visitado e produzindo ali esboços rápidos das formas e silhuetas que mais captaram a sua atenção. Fotografa tudo e mais tarde, já na Rússia, recupera com o pincel as memórias do que mais gostou em cada viagem.

Em 2012, Inna visitou Lisboa e ficou cativada com os bairros antigos. Percorreu as cidades com a lentidão e carinho que muitos lisboetas não dedicam à sua cidade, apressados pelas urgências do quotidiano. Desenhou muito nos meses seguintes. Com a preocupação de nunca alterar a arquitectura e de manter a fidelidade dos esboços face à realidade observada, Inna regressou à Rússia e começou a recuperar, a seis mil quilómetros de distância, a cidade retida na sua memória.

Desenhando em aguarela “porque o computador, com frequência, contradiz o que foi desenhado no papel”, Inna voltou a Portugal noutras ocasiões, enfeitiçada pela luz dos céus de Lisboa. E foi na capital portuguesa que concretizou outro sonho, apreciando pela primeira vez quadros originais de Van Gogh. “Tudo acontece por um motivo”, diz.

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