Castelo de São Jorge

Em 2021, as escavações do castelo completam 25 anos de actividade.

Texto: Paulo Rolão
Fotografia: Fernando Guerra
lustração: Anyforms Design

Numa das colinas que coroa Lisboa, ergue-se um castelo que, pela sua localização e enquadramento cénico, é o monumento mais visitado do país. Muitos dos que o visitam retêm o olhar sobre os telhados da cidade debruados a seus pés e sobre o estuário de um rio que quase parece mar.

A vista é redentora, sem dúvida, mas os sentidos também convergem para a fortificação de pedra, com as suas torres e muros altaneiros. Muitos, porém, desconhecem que o castelo não é exactamente medieval, pois encontraram-se vestígios de passagem e estabelecimento de outros povos e culturas – fenícios, gregos, romanos – pelo estuário do Tejo.

O Castelo de São Jorge foi erguido por mãos mouras. Muito posteriormente, foi praticamente desactivado e parcialmente destruído, até receber grandes reformas nas décadas de 40 e 90 do século passado. Na realidade, o Castelo de São Jorge, tal e qual como está hoje, tem “escassos” anos de existência…

Castelo de São Jorge

Reconstituição de uma casa muçulmana na área arqueológica do castelo.

Após a travessia do estreito de Gibraltar no século VIII, quase toda a Ibéria ficou na posse do invasor e a antiga Olisipo também.
Atendendo à posição estratégica, sobre terra e sobre rio, ergueram um castelo – a alcáçova – que possuía uma arquitectura militar típica das construções mouriscas, com dois pátios: um para acolher a população, outro para a mesquita. A actual freguesia de Santa Maria Maior acolhe o castelo e a Sé de Lisboa, ou seja, a área da antiga instalação muçulmana. O templo cristão dos dias de hoje foi erguido sobre a antiga mesquita, conforme o atestam as investigações arqueológicas. Na época medieval, procurou-se apagar da história qualquer fé que não a católica.

Para defender a cidade e a sua população, os árabes ergueram uma forte cintura de muralhas em redor, a designada Cerca Moura, reforçando a que já existia da época romana, que se estendia da colina do castelo até à zona ribeirinha. No interior das muralhas do castelo, a medina era constituída por ruelas estreitas pela qual gravitava parte da população.

Com a extensão da cidade, Alfama tornou-se o centro da cidade islâmica, tanto mais que foi construída ao jeito de um suk do Norte de África. Nas últimas quatro décadas, o passado islâmico do castelo tem sido desvendado e, já este ano, emergiu também uma área muçulmana por baixo da actual Sé.

Como um mil-folhas, Lisboa já foi Olisipo e Al-ushbuna. E há fragmentos de cada uma dessas cidades no subsolo da grande capital.

Castelo de São Jorge         

Rua de Santa Cruz, Lisboa    

Horário: 9h – 18h (todos os dias)    

Contacto: Tlf.: +21 880 06 20

mapa

Pesquisar