Terramoto 1755

O terramoto continua vivo na memória. Das ruínas de Lisboa ergueu-se um líder politico consolidado e uma cidade moderna e planeada.

Texto: Goncalo Pereira
Fotografias: Jordi Birch

Portugal vive dias de esperança neste ano da graça de 1755. A Casa da Ópera do Tejo foi inaugurada em Abril para saudar um género dramático que, na geração anterior, era apupado em Lisboa. Do Brasil, chegam 125 arrobas de ouro por ano, marcando o auge da exploração do nobre metal brasileiro e restabelecendo o tesouro público que tão desbaratado fora no reinado de D. João V. No Porto, constrói-se, desde 1754, a Torre dos Clérigos e, em Braga, o Palácio do Raio vai ganhando forma.

A Coroa fundou, em Junho, a Companhia do Grão-Pará e Maranhão, para potenciar a exploração de matérias-primas destes estados brasileiros. Aos 44 anos, D. José I cumpre o seu quinto ano de reinado. Desde 1750 que o rei conta com o ex-embaixador em Viena e em Londres, Sebastião José de Carvalho e Melo, como secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, cuja opinião cosmopolita preza e valoriza. A rainha-mãe morreu no ano anterior, mas a vida retoma a normalidade em Lisboa. O monarca é melómano e gosta de caçar. Não se lhe conhecem especiais interesses pela governação, mas Portugal está bem posicionado no xadrez da alta política europeia. No início da década, a Casa da Áustria quebrou a ligação à Inglaterra e aproximou-se do bloco franco-hispano. Neste primeiro de Novembro, dia de Todos os Santos, nasce, em Viena, Maria Antonieta, que o imperador austríaco se vai apressar a fazer casar com o futuro Luís XVI de França. Fruto das ligações comerciais que tornam Portugal em tudo dependente de Inglaterra, D. José mantém-se fiel ao velho aliado, mas respira-se intriga na corte, sobretudo entre os apaniguados do chamado partido francês.

Terramoto 1755

ÍCONE DA RECONSTRUÇÃO Coroando as amplas avenidas rasgadas na Baixa e os edifícios pombalinos de rendimento, a estátua equestre de D. José I , na Praça do Comércio, foi inaugurada em 1775. Dois anos depois, o monarca morreu.

Seguramente que a conversa entre o irmão do inglês Joseph Fowke, mercador da Feitoria Britânica, e os portugueses José Alves e Francisco se centrava em temas muito mais mundanos nesta manhã de sábado. Tomaram o pequeno-almoço e estavam agora no escritório do inglês. A manhã estava fria, como é próprio de Novembro, mas não gelada. Os termómetros marcavam 17 graus. Por todo o lado se acendiam velas em antecipação do dia de finados. As igrejas estavam apinhadas de fiéis. Comentava-se, aqui e acolá, que foram vistas novas nascentes de água e, em outras, o fluxo aumentou de intensidade. Os relógios e os sinos assinalavam pouco mais de trinta minutos das nove horas da manhã.

Antecedido por um ruído crescente, o solo tremeu sem aviso. Fowke pensou que, na rua, passava uma carruagem de seis cavalos, mas depressa pressentiu que o sismo poderia ser igual ou pior do que aquele que assustara Londres cinco anos antes. Lembrou-se que a casa do irmão continha um maciço arco de pedra. Em passo de corrida, os três amigos fugiram, enquanto as casas pareciam executar uma estranha dança, antes de colapsar com estrondo. Varandas caíram sem aviso. Telhas precipitaram-se dos telhados. Francisco tombou, inerte, sem vida. Os outros dois encontraram abrigo no arco, instantes antes de a casa de Fowke ruir como um castelo de cartas.

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IMPACTE ALÉM-FRONTEIRAS Os ecos da catástrofe superaram largamente a fronteira portuguesa. Artistas franceses e alemães representaram vivamente os efeitos do desastre natural. Em alguns casos, fizeram-no, até, sem conhecer Lisboa.

Aos 26 anos, Thomas Chase preparava-se para festejar mais um aniversário. Estava em casa, num quarto andar da Rua das Pedras Negras, a mesma onde nasceu. Como qualquer um dos cerca de 250 mil habitantes de Lisboa, sentiu o terramoto e temeu pela estabilidade da sua velha casa. Subiu ao eirado da habitação, decisão extemporânea que rapidamente lamentou. O eirado tremeu e pareceu levitar, antes de tombar pesadamente no solo. Thomas acordou parcialmente soterrado por destroços e a boca cheia de terra. Caíra de uma altura elevada e tardou em compreender que deslocara o ombro. O braço direito pendia, inerte. Os joelhos e as pernas estavam repletos de feridas. Apesar das dores, a preocupação do britânico nascido em Lisboa era outra: a queda encurralara-o num espaço de dez pés de comprimento por dois de largura. De cima, telhas e outros detritos continuavam a cair.

Quarteirões inteiros desmembraram-se. Concentrados à hora da missa, muitos fiéis foram esmagados pelos escombros das igrejas ou ficaram encurralados por toneladas de entulho.

Encostou-se a uma das paredes, mais fina, e descobriu com alívio que ela possuía uma fenda. Passou a cabeça, depois o braço, de seguida todo o corpo. O movimento foi rápido de mais e Thomas precipitou-se a dois pés de altura para o compartimento subjacente. Estava na divisória de outra casa, seguramente vizinha da sua, mas que o terramoto rearranjara com um humor bizarro. Torneou um forno e encontrou, imerso em pensamentos, um português coberto de poeira. “Jesus, Maria e José! Quem é você? De onde vem?”, exclamou o homem, assustado com a aparição. Thomas arrastou-se  penosamente  para  fora do edifício sinistrado. Subiu uma encosta e dirigiu-se penosamente a casa do alemão Ernest Frog, mercador de Hamburgo, que, naquela hora de aflição, acolhia todos quantos podia no jardim da sua residência. Em boa hora Chase o fez. Deitado numa cama, já na residência do alemão, enquanto procurava restabelecer o fôlego, um novo abalo, quase tão forte como os anteriores, fez cair o estuque da parede e agitou o mobiliário.

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A CASA DOS RISCOS A resposta governativa foi rápida e eficiente. Manuel da Maia identificou as hipóteses de reconstrução, e Eugénio dos Santos (na imagem) e Carlos Mardel encarregaram-se de grande parte dos projectos, que o futuro marquês de Pombal avalizou. O resultado foi a Baixa lisboeta como hoje a conhecemos.

Os oito minutos de episódios sísmicos tiveram consequências desastrosas em toda a cidade. Quarteirões inteiros desmembraram-se. Concentrados à hora da missa, muitos fiéis foram esmagados pelos escombros das igrejas ou ficaram encurralados debaixo de toneladas de pedra e madeira. Fazendo-se valer do senso comum, muitos populares acorreram de imediato ao rio, procurando os espaços abertos do Terreiro do Paço. Às onze horas, em simultâneo com mais um abalo violento, o comandante de um navio inglês, ancorado em frente ao porto, não queria acreditar quando se apercebeu que o nível da água do Tejo subia assustadoramente. Tendencialmente alagada em períodos de cheia, a Baixa de Lisboa não desconhecia os riscos da inundação, mas, neste primeiro de Novembro, a água não parou de subir. “Por mais de uma vez me ocorreu que a Inquisição, com toda a sua extrema crueldade, não podia ter inventado metade de uma tal variedade de torturas para o espírito, como as que estávamos então a sofrer”, escreveu Chase.

Os pilotos de pequenos barcos ancorados foram sacudidos violentamente para a terra, onde se procuravam segurar. No cais da Ribeira das Naus, porto de construção e reparação naval, a água arrancou embarcações a seco e resgatou-as para o mar, como se quisesse de volta o que lhe pertencia. A maré encheu e vazou três vezes, no espaço de quatro ou cinco minutos. O castelo do Bugio ficou parcialmente escondido pelas águas, a tal ponto que a guarnição, aterrorizada, disparou para o ar tiros de socorro. O bairro de São Paulo foi alagado, tal como parte da zona ribeirinha. No cais da Pedra, que D. João V mandara construir no Terreiro do Paço, cerca de trezentas pessoas acomodavam-se enquanto aguardavam possível transporte para fora do inferno em que a cidade se tornara. Os solos arenosos em que assentava a estrutura sofreram provavelmente liquefacção, colapsando para o fundo do rio, por falta de apoio das fundações, e transportaram consigo os infelizes que nela se equilibravam.

Um pouco por toda a cidade, entre os escombros, deflagravam incêndios. O palácio do marquês de Louriçal e a Igreja de São Domingos foram dos primeiros a arder. Em breve, aos alegados ventos subterrâneos dos terramotos e à água impiedosa do maremoto, somar-se-ia o fogo flagelador, um gigantesco incêndio que lavraria nos cinco dias seguintes, consumindo grande parte da cidade, queimando palácios e igrejas, consumindo os armazéns da Casa da Índia e aproximando-se perigosamente do paiol de pólvora do Castelo de São Jorge. Entre o caos, chegaram notícias de actos raros de sobrevivência. Na Igreja da Penha, um homem foi encontrado com vida ao fim de quatro dias. Na Basílica de Santa Maria, outro resistiu sete dias à prisão de entulho. Na Rua dos Canos, uma rapariga ainda estava viva ao fim de nove dias de encarceramento sob os escombros.

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CIDADE ILUMINISTA A largura e a altura dos edifícios não superava a largura das ruas. E ao reconstruir a nova cidade numa plataforma mais elevada, usando os escombros como entulho, eliminou-se praticamente o risco de inundação.

Lisboa estava – não havia engano – perante uma punição de contornos bíblicos, mas, pela primeira vez na história do país, e com raros exemplos anteriores na Europa, um governo deu início ao esforço de socorro e prestação de cuidados básicos perante uma catástrofe. O advento da protecção civil surgiu em Lisboa.

Sentia-se o pânico na cidade à medida que o fogo se propagava e a terra não cessava de tremer. O preço das embarcações aumentava a cada minuto. Os estrangeiros endinheirados mandavam escravos para negociar a sua salvação com os barqueiros. Bandos de malfeitores, alguns fugidos das prisões destruídas nesse dia, vagueavam pela cidade, pilhando, queimando e atacando outros sobreviventes. Algumas horas depois, em resposta directa a estas pilhagens, o rei mandaria instalar seis forcas na cidade, instituindo julgamentos sumários para quem pilhasse. Uma semana depois, viajantes darão conta que os corpos enforcados ainda permaneciam dependurados, em jeito de aviso.

Cada vez mais fraco, Thomas Chase sentiu as forças escaparem-se-lhe. Resolveu antecipar a sua sorte e tentou caminhar na direcção de uma ravina para acabar de vez “com as misérias excessivas”. Em vão. Não conseguia caminhar. Por todo o lado, a população parecia convencida de que o dia do juízo final chegara. Pregadores de circunstância anunciavam o desfecho, e Chase deu conta de que, a cada tremor, os populares “bradavam ‘Misericórdia!’ todos de joelhos, nos tons de voz mais dolorosos que se possam imaginar.” Gabriel Malagrida era um jesuíta italiano, de 66 anos, conhecido pelos seus dotes oratórios. No reinado de D. João V, obtivera licença para fundar uma missão em Pará, e o prestígio granjeado levara a corte a escolhê-lo para acompanhar o rei no último sopro de vida em 1750. No início do reinado de D. José, voltou para o estrangeiro, mas foi requisitado em 1754 para assistir a morte da rainha-mãe. Confidente da família Távora e jesuíta obstinado, Malagrida tinha os condimentos para esbarrar com Sebastião de Carvalho e Melo. O terramoto acelerou o desfecho.

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CONHECER E PRESERVAR O núcleo arqueológico da Fundação BCP, na Rua dos Correeiros, é um dos locais privilegiados para apreciar a Lisboa pré-pombalina.

Em sermões públicos, nos dias seguintes ao fatídico primeiro de Novembro, Malagrida apressou-se a condenar a opulenta vida contemporânea como causa directa para a fúria de Deus. Para Sebastião de Melo, o empenho nos trabalhos de reconstrução dependia da aceitação das causas naturais do fenómeno. Cada sermão de Malagrida, pregador convincente, cujas míticas barbas brancas despertavam devoção, colocava em causa a autoridade do rei e do ministro. “Nem o próprio Diabo poderia inventar uma falsa ideia tão passível de nos conduzir à ruína irreparável”, pregava Malagrida sobre as alegadas causas naturais do fenómeno. Nos seus múltiplos sermões, o padre sugeria que os teatros, a música, as danças luxuosas, as comédias obscenas, as touradas e demais preocupações de lazer constituíam os pecados de que os lisboetas se deviam arrepender. Para o historiador T. D. Kendrick, neste cenário, “não havia nenhum compromisso possível entre os homens de acção e os homens de Deus”. No Outono de 1756, a distribuição de um panfleto de acusação intitulado “Juízo da Verdadeira Causa do Terramoto” proporcionou a ocasião para afastar o jesuíta. Sebastião de Carvalho e Melo convenceu o núncio papal a enviar Malagrida para Setúbal. Mas mesmo em Setúbal Malagrida não cessou de pregar contra o governante e a reconstrução.

Terramoto 1755

CONHECER E PRESERVAR Uma réplica da gaiola, conservada nas instalações do antigo arsenal da Marinha.

A 3 de Setembro de 1758, o secretário de Estado desfez uma aparente trama que visava assassinar o rei e tomar o poder. Vários membros de famílias nobres foram executados. Malagrida foi associado aos conspiradores, sobretudo porque avisara, em sermão, que um grande mal se abateria sobre o monarca. Aprisionado, não foi executado em 1759, juntamente com os Távoras, mas foi entregue à Inquisição, então já dirigida pelo irmão de Sebastião de Carvalho e Melo. Em Setembro de 1761, foi estrangulado e depois queimado no Rossio, num dos últimos autos-de-fé da história de Lisboa. Tinha 72 anos.

Naquela manhã de desgraça, o rei fora protegido pela fortuna, que o induzira a dormir nas Reais Casas de Campo de Belém. A família real sobreviveu incólume, mas o seu papel na tragédia e nos anos que se seguiram é ainda objecto de debate. Na manhã de dia 5, Abraham Castres, enviado especial de Inglaterra desde 1749, conseguiu finalmente visitar D. José I. Encontrou-o abalado, mas mais sereno do que o embaixador esperara. Agradecia à providência a sua salvação e a da rainha, que escapara por pouco de ser esmagada. Chamfort, cronista da época, sugeriu que a calma derivava tão-somente do desconhecimento: “Falaram-lhe primeiro de algumas casas caídas, depois de algumas igrejas”, escreveu. “E, como nunca mais tornou a Lisboa, pode dizer-se que foi o único homem na Europa que não fez uma verdadeira ideia do desastre acontecido a uma légua da sua pessoa.”

Encontro-me com José Sarmento Matos no Largo do Carmo, a escassos metros do convento parcialmente destruído pelo terramoto de 1755. Eminente olisipógrafo, Sarmento Matos é a autoridade a quem se recorre para resolver uma disputa intelectual sobre datas de um reinado ou linhagens europeias unidas por matrimónios sucessivos. Com respostas na ponta da língua, o meu interlocutor não concorda com a imagem discreta que a história reservou a D. José I e muito menos com a sua subalternidade perante o secretário de Estado. “Não há o menor indício de que o rei tenha vacilado durante o seu reinado. É falsa a ideia do rei tolinho e manipulado pelo futuro marquês de Pombal”, defende, contrariado. “O rei depositou confiança política naquele secretário de Estado e apoiou-o sempre. Poderia tê-lo sacrificado na crise política de 1756. Ou em 1761. Mas manteve-o no seu posto.” Apesar dos importantes blocos políticos, sempre ligados à corrente francesa, o “rei nunca lhe tirou o tapete. Ele era o monarca. Com uma só ordem, poderia afastar Sebastião de Carvalho e Melo, mas nunca a deu.” Em boa hora. Estivesse o monarca activo ou autista, o governo reagiu, expedito, à tragédia que, durante aquele mês de Novembro, ceifou a vida de cerca de dez mil lisboetas, pelas estimativas mais fiáveis. Os decretos régios sucederam-se e é, pela sua consulta, que se torna possível tomar o pulso à determinada resposta governativa. A 29 de Novembro, exigiu-se uma inventariação e medição dos prédios e ruas destruídas. Três dias depois, proibiram-se construções fora dos limites da cidade. No dia seguinte, Manuel da Maia entregou ao duque de Lafões, o regedor de Justiça, a primeira de três dissertações sobre a reconstrução. Manuel da Maia era o mestre-de-campo-general, a segunda patente do exército. Em 1755, tinha 78 anos, mas conhecia a cidade e as suas obras públicas como a palma das mãos. Na década de 1730, catalogara o arquivo da Torre do Tombo, facilidade que lhe permitiu indicar à coroa cinco hipóteses imediatas de acção: reconstruir a cidade tal qual ela fora; corrigir a cidade antiga, alargando as ruas; corrigir a cidade antiga, impondo novas regras de edificação; reconstruir os bairros da zona baixa com uma nova planificação; ou abandonar os escombros e projectar uma nova cidade, entre Alcântara e Pedrouços, aproveitando também os amplos terrenos que D. João V ali comprara.

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TENSÃO ENTRE RELIGIÃO E CIÊNCIA MARCOU O INÍCIO DOS TRABALHOS DE RECONSTRUÇÃO Patrocinada pelo governo, a explicação do terramoto por causas naturais foi rapidamente disseminada, mas esbarrou na retórica jesuítica, que aproveitou a catástrofe para demonizar os esforços de reconstrução. O choque entre religião e ciência foi personificado no confronto verbal entre o futuro marquês de Pombal e o padre Gabriel Malagrida. O segundo viria a ser queimado num auto-de-fé.

Em Maia, a cidade encontrou a capacidade teórica indispensável para, perante a catástrofe, balizar modelos arquitectónicos, técnicas de construção, modelos de segurança urbana, higiene e saúde pública. Para José-Augusto França, o historiador nascido em Tomar que analisou, pela primeira vez, a reconstrução de Lisboa como uma manifestação urbanística da corrente iluminista europeia, “a improvisação foi circunstancial e óbvia, na pragmática necessidade de respostas urgentes e económicas. Mas, por detrás dela, estão as reflexões de Manuel da Maia, baseadas na sua experiência antiga da cidade”, escreveu o autor em nota enviada por escrito de Jarzé, a localidade francesa onde habita.

Os decretos sucederam-se, enquanto Maia foi apresentando à coroa as suas minuciosas propostas e o projecto de reconfiguração da Baixa lisboeta, à luz de uma nova concepção de arruamentos e edifícios. Decidiu elevar-se a zona baixa, utilizando os escombros como entulho e estacas de pinho verde para compactar o solo. Foi nessa base que se procedeu ao projecto da Baixa. Definiram-se princípios de protecção civil ainda hoje válidos: a largura e altura dos edifícios não podiam ser superiores à largura das ruas. Estimaram-se cotas máximas para os novos imóveis. As ruas, entre o Terreiro do Paço e o Rossio, foram projectadas de raiz, criando uma malha reticular, de perpendiculares e paralelas em tudo semelhantes ao que se vinha fazendo em Washington ou São Petersburgo. Segundo a investigação de José-Augusto França, o estímulo à produção em série e à estandardização de elementos construtivos impediu a especulação de preços dos indispensáveis materiais de construção e optimizou os trabalhos de reconstrução.

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MARCO DA “VIRADEIRA” A morte de D. José I, em 1777, levou à queda e prisão do marquês de Pombal. D.Maria I imprimiu novo cunho à gestão do reino, e a Basílica da Estrela (1779-1789) tornou-se um marco da mudança de regime.

O edifício pombalino de rendimento, constituído por uma loja no piso térreo e alguns pisos superiores de tipologia esquerdo/direito, tornou-se a referência urbanística. Desenhados por Eugénio dos Santos, arquitecto do Senado da cidade, e pelo austro-húngaro Carlos Mardel, os prédios sucederam-se por quarteirões uniformes e fachadas muito iguais. As preocupações anti-sísmicas caminharam de mãos dadas com uma nova noção social.

“Esse foi precisamente o problema”, sugere Sarmento Matos. “Há um conceito implícito de uniformidade social na Baixa que é contrário à estrutura social vigente. A Baixa é uma utopia.” Pressupõe que todos vivem da mesma maneira, numa sociedade de extremos, onde os mais abastados necessitam de palácios não de casas de três ou quatro assoalhadas – para albergar a legião de criados e serviçais, e a massa popular não tem meios para construir ali casa.

Os edifícios pombalinos também morrem. E quando perecem, fazem-no de pé, como as árvores. Essa é pelo menos a prerrogativa do arquitecto Jorge Mascarenhas, investigador da Escola Superior de Tecnologia de Tomar e um dos mais diligentes apaixonados pela Baixa lisboeta. Como todas as histórias de paixão, esta começou por ser uma aspiração inatingível. Nascido em Angola, Jorge Mascarenhas estudou na Escola Superior de Belas-Artes, paredes-meias com a Baixa que Sebastião de Carvalho e Melo idealizou. Diariamente, viu prédios e fachadas, janelas e cantarias. Aos poucos, formulou o desejo de conhecer a arquitectura pombalina como nunca ninguém a conhecera – por dentro.

No âmbito do seu doutoramento, e já colocado em Tomar como docente, Jorge Mascarenhas tomava o comboio das seis horas da manhã e, nos meses de Agosto e Setembro, vinha documentar a anatomia dos edifícios, mal sabia que um prédio da Baixa estava agendado para destruição. Aprendeu intimamente que a Baixa, apesar de uniforme à superfície, comporta diferentes fases de progressão e relação com os materiais. Como um médico legista de edifícios, Jorge Mascarenhas assistiu a quase duas dezenas de “desembalsamamentos” – a fase progressiva de destruição de um prédio, camada a camada, até chegar ao esqueleto final. Na presença destas “múmias” urbanas, Mascarenhas documentou tudo o que viu – das gaiolas de madeira até à arrumação das assoalhadas, da escadaria ou das janelas.

“É preciso ter muita paixão ou muita loucura para fazer o que eu fiz”, diz, com uma gargalhada. O resultado prático da investigação conduzida entre 1988 e 1997, que levou o arquitecto a dissecar 53 quarteirões e mais de 400 edifícios, foi a conclusão empírica de que a reconstrução foi faseada e demorada. Aliás, na primeira década do século XIX, na sequência das invasões francesas, a mulher do comandante Junot ainda lamentava os traços visíveis “do ano amaldiçoado”. A reconstrução foi lenta e problemática, e Jorge Mascarenhas propôs diferentes tipologias para os edifícios por si identificados – dos mais primários aos mais tardios.

Entre os milhares de desenhos que fez – fiel ao espírito empírico do trabalho, preferiu o desenho à fotografia –, compreendeu que a percepção do terramoto foi mudando. “Ela está visível no esqueleto dos prédios”, diz. “Os prédios iniciais, construídos cinco ou dez anos depois da catástrofe, possuem a gaiola anti-sísmica orientada a norte-sul e este-oeste. Foram projectados para suportar abalos e resistir, da mesma forma que houve cuidado com todos os elementos salientes que, em caso de sismo, pudessem ruir para a rua.” A partir do momento em que a memória da tragédia foi escoando, a engenharia simplificou-se. “Os prédios tardios possuem toda a armação em tabique. São menos resistentes, porque foram feitos 50 anos depois, quando a geração que sofrera o terramoto já não existia.”

O entusiasmo da descoberta levou Jorge Mascarenhas ao obscuro arquivo da Décima da Cidade de Lisboa, no Tribunal de Contas. Se o leitor julga que o trabalho de um contabilista pode ser enfadonho, imagine a consulta mecanizada do arquivo da contribuição autárquica paga por uma rua inteira, por todos os prédios, por todos os inquilinos, entre 1760 e 1800. Jorge Mascarenhas escolheu a Rua Augusta e lançou-se ao trabalho. Número a número, compilou a relação de proprietários e confirmou a sua percepção empírica, depois dos “desembalsamamentos”. “À data da morte de D. José I, em 1777, a Baixa estava praticamente toda por fazer. Havia poucos prédios construídos e ainda menos inquilinos já instalados.” O processo de reedificação entrou pelo século XIX adentro, ampliando o impacte do terramoto de 1755 na economia e na vida da própria cidade por quase sete décadas (o próprio Rossio só foi terminado em 1840).

No Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, na zona ocidental da cidade, os prédios de rendimento da Baixa são analisados com outra lente, menos apaixonada e muito mais prática. Duas réplicas da estrutura da gaiola pombalina de cerca de um metro de altura são utilizadas na recruta como demonstração dos perigos que este tipo de edifício coloca aos bombeiros. “Chamamos-lhe ninho de bruxas”, atira um dos bombeiros. “O fogo propaga-se pela estrutura com rapidez. Já chegámos a dar incêndios como extintos antes de verificarmos reacendimentos num piso diferente, por força das paredes ocas que podem comunicar o fogo de um lado para o outro.” O subchefe principal Craveiro fala com admiração destas construções. Homem curtido por mil batalhas, esteve no grande incêndio do Chiado em 1988 e conhece bem o tipo de edifício que ainda povoa a Baixa. Em voz baixa, como se falasse só para si, enumera os artifícios técnicos que a maqueta representa. “São prédios rijos, bem feitos, mas a introdução de canalização de água e gás afectou a sua resistência”, lembra. Aos recrutas gosta de lembrar que as cadeias são os elementos principais a ter em conta num incêndio nestes edifícios. Sustentáculos de cada piso, é nelas que o bombeiro deve primeiro concentrar a sua atenção.“Apodrecidas ou comprometidas pelo fogo, vão provocar provavelmente a queda do piso.” A Jorge Mascarenhas, num dia aziago, uma cadeia podre provocou de facto a sua queda para o piso de baixo. “Riscos do ofício”, brinca. “Um pequeno preço a pagar para quem, como eu, sentiu que os prédios iniciais da Baixa estavam a ser destruídos desde a década de 1980 e que mereciam ser protegidos.”

Normalmente, um sismólogo desvaloriza os testemunhos orais dos efeitos de um sismo moderno, remetendo-os para o domínio da etnografia. João Duarte Fonseca, investigador do Núcleo de Engenharia Sísmica e Sismologia do Instituto Superior Técnico, faz precisamente o contrário. Na sua mesa de trabalho, amontoamse evocações do terramoto de 1755, livros, publicações científicas, tratados. Para quem não teve o privilégio de chegar ao local da catástrofe atempadamente, a melhor opção é estudar minuciosamente os relatos de quem lá esteve. João Duarte Fonseca catalogou praticamente todas as descrições contemporâneas dos fenómenos iniciados em 1 de Novembro de 1755 e prolongados nos meses seguintes. Até Outubro do ano seguinte, segundo as contas do padre Manuel Portal, a tremeu mais 500 vezes.

Ainda hoje, o epicentro do terramoto de 1755 é debatido pela comunidade sismológica. Já foram propostos quase uma dezena de locais, quase todos ao largo da costa portuguesa, para sul ou sudoeste. A chave, porém, reside numa escala cronológica e não no fundo do mar. A maioria dos relatos contemporâneos estima que o maremoto (depois da sequência de oito minutos de abalos) tardou 75 a 90 minutos a fazer-se sentir em Lisboa e ocorreu simultaneamente com um novo sismo. É essa hora e meia que tem permitido estimar a distância à costa da região epicentral.

Durante anos, pensou-se que o banco submarino de Gorringe seria a solução perfeita, em termos de distância de Lisboa e de capacidade para induzir um sismo de 8,5 de magnitude de momento. Mas a análise sistemática dos documentos de época revelou também uma esmagadora diferença entre os efeitos devastadores do sismo em Lisboa e no Algarve e os danos menores provocados na região alentejana intermédia. “E há toda uma região no vale do Tejo, que não deveria ter sofrido um impacte tão forte”, conta. Em Benavente, a forma do Tejo alterou-se e há relatos intrigantes de barcos que flutuavam e que, depois do terramoto, estavam a seco porque a terra tinha subido. “Isto é difícil de explicar com base num sismo a 300km de proximidade”, interroga João Duarte Fonseca.

Para a sismologia anterior à década de 1990, a proposta de uma ruptura secundária causada à distância por um terramoto seria encarada da mesma forma que um físico reagiria perante a proposta impossível de que, em determinadas situações, a maçã que atingiu Isaac Newton poderia subir em vez de descer! O sismo norte-americano de Landers em 1992, provocado pela falha de Santo André, encarregou-se de tornar possível a ruptura secundária. E João Duarte Fonseca adoptou-a para a explicação do sismo de 1755. Uma falha geológica pode afectar suficientemente a tensão no interior da crosta, num raio considerável, de modo a causar a ruptura de outra falha independente, que já estivesse em situação crítica. Em resposta à ruptura, ocorreria um sismo... por simpatia. “Algo semelhante se poderia ter passado em Lisboa, na zona do vale do Tejo, uma fonte sísmica já conhecida e documentada”. Ao sismo gerado a sul da costa, poderia ter correspondido uma ruptura no vale do Tejo oito minutos depois, suficientemente forte para provocar estranhos fenómenos em Benavente. No final do século XVIII, o consagrado hidrologista Estêvão Cabral admitiu que não conseguia explicar o declive retrógrado das ribeiras da margem norte do Tejo (Ota e Alenquer). “Ele diz que o que ali se está a passar é contrário às leis da hidráulica, mas hoje sabemos que, depois de um terramoto, o fluxo nas redes de drenagem pode ser afectado próximo do epicentro. A superfície deforma-se com o sismo e podem induzir-se anomalias nas redes de drenagem.”

A tese enunciada teve o condão de recuperar o sismo de 1755 para o centro da polémica. Historicamente, a controvérsia pode ajudar a explicar a inusitada força do tsunami em Lisboa, cidade protegida por um estuário que teoricamente deveria ter provocado o abrandamento das águas. Mas há consequências bem mais palpáveis se este modelo teórico estiver correcto: toda a previsão de risco sísmico para Lisboa pode ter partido de pressupostos incertos.

O governo reagiu, expedito, à tragédia que, durante aquele mês de Novembro, ceifou a vida de cerca de dez mil lisboetas.

Para o marquês de Pombal, o terramoto foi, acima de tudo, um evento legitimador, uma oportunidade de ouro para tomar as rédeas do governo e fazer pender para o seu lado a intensa batalha política que agitava os pró-franceses e os pró-ingleses na corte portuguesa. Em 1756, uma conspiração para matar o rei D. José I serviu de pretexto para os primeiros acertos de contas. José Sarmento Matos chama ao período de 1755 a 1761 “o processo revolucionário em curso do século XVIII”, uma chalaça associada ao PREC depois da revolução de Abril de 1974. Pombal impôs então as regras e definiu claramente a política de alianças com Inglaterra, cortando (literalmente) as cabeças visíveis do lobby francês em Lisboa e privilegiando uma nova classe de burgueses a quem entregou monopólios colossais. Até 1777, data da morte do rei, exerceu a sua pasta com competência e autoridade. Refundou a indústria portuguesa enquanto a reconstrução do reino se processava com lentidão. Como escreveu José-Augusto França, a morte do rei foi-lhe fatal. “‘Já nada ali tinha que fazer’, ter-lhe-á dito o cardeal da Cunha, seu antigo apaniguado, ainda estava quente o corpo do rei.” Com a ascensão de D. Maria I, Pombal foi condenado e só escapou dos açoites públicos devido à sua avançada idade. Morreria em 1782.

O trio de engenheiros que a história imortalizou teve destinos diferentes. Manuel da Maia, que o terramoto tornou útil aos 78 anos, morreu apenas em 1768, ainda a tempo de ver o fruto da sua reflexão ganhar forma diariamente. Tinha então 99 anos. Eugénio dos Santos, engenheiro competente, descendente de uma família simples de mestres-pedreiros, morreu cinco anos depois do terramoto. A ele coube o sonho de qualquer engenheiro: redesenhar livremente toda a zona baixa da cidade. Projectou centenas de edifícios, mas, no leito da morte, arrependeu-se dos danos que provocara às igrejas da Baixa, reduzindo-as ou eliminando-as das suas cartas. Morreu aos 49 anos, certo de que não tinha salvação possível. Carlos Mardel, nascido Karoly Mardell, tinha 60 anos à data do terramoto. Preferido do marquês de Pombal e de sua esposa (também ela austrohúngara), realizou importantes obras públicas no século XVIII. A ele se deve a elegância do projecto pombalino, contraponto da monotonia estilística de Eugénio dos Santos. Morreu em 1763, aos 68 anos.

O enviado especial da coroa inglesa a Portugal, Abraham Castres, manteve-se em Lisboa até à sua morte. Do irmão de Joseph Fowke, pouco mais se sabe. Provavelmente, terá embarcado de regresso a Inglaterra. Thomas Chase, apesar dos numerosos ferimentos sofridos e da epopeia vivida no Primeiro de Novembro de 1755, sobreviveu e embarcou para Inglaterra a 30 de Novembro. Viria a morrer em Lisboa aos 59 anos. Na Igreja de Bromley, Kent, um monumento em sua honra resume a história deste homem extraordinário: “Sagrado à memória do Ilmo. Sr. Thomas Chase, antigo paroquiano; nascido na cidade de Lisboa, no Primeiro de Novembro, 1729, e sepultado sob as ruínas da mesma casa em que viu a luz pela primeira vez, no sempre memorável e terrível terramoto que aconteceu àquela cidade, no Primeiro de Novembro, 1755, quando, depois de uma salvação extraordinária, ele, a pouco e pouco, recuperou de uma condição muito deplorável, e viveu até 20 de Novembro, 1788.”

Espelho entre o século XVIII e a actualidade

rossio
REVOLUÇÃO TOTAL O Rossio (hoje Praça Dom Pedro IV) modificou-se radicalmente desde que Zuzarte assinou este desenho, no século XVIII. Desapareceram os emblemáticos Palácio dos Estaus, Igreja e Convento de São Domingos e Hospital Real de Todos os Santos. Manteve-se, estóico, o Palácio dos Condes de Almada (hoje, Palácio da Independência). Palco da revolução popular de 1385, o Rossio perdeu progressivamente importância como espaço político. Nos planos pombalinos, a Praça do Comércio manteve o estatuto primordial, embora fossem privilegiadas as vias de ligação entre as duas praças. Em 1775, decidiu-se abrir uma praça gémea – a Praça da Figueira. O Rossio foi das últimas áreas concluídas.

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Os últimos edifícios (projectados em cima, numa paragem de autocarro) datam de meados do século XIX.

Terramoto 1755
A “promoção” religiosa do patriarcado lisboeta entusiasmara D. João V, que despendeu elevados recursos na ampliação da pequena capela do Paço Real. Nasceu a Igreja Patriarcal, símbolo religioso de um regime fervorosamente devoto. Em 1754, Lisboa tinha 79 conventos.

DA PATRIARCAL À CÂMARA DE LISBOA Nas imediações da actual Praça do Município, a antiga Igreja Patriarcal, extensão religiosa do Paço real, ruiu por completo, como dá conta a gravura (porventura exagerada) de Miguel Pedegache. Em 1774, por projecto de Eugénio dos Santos, ergueu-se o edifício dos Paços do Concelho, na Praça do Município (em cima), onde a rainha Maria I chegou a viver no final do século XVIII. Um incêndio, em 1863, devastou-o por completo e a cidade optou então por um projecto totalmente novo. Dessa inspiração, foi construído o actual edifício, que só ganhou forma em 1880. Foi neste edifício que se proclamou a República em 5 de Outubro de 1910. Em 1996, um novo incêndio destruiu os pisos superiores, afectando pinturas e ornamentos dos tectos.

Terramoto 1755

Espaço predilecto de um monarca melómano, a Casa da Ópera fora inaugurada no dia de aniversário da rainha, em 31 de Março de 1755. A acção combinada do terramoto, do maremoto e dos incêndios posteriores destruiu-a por completo. O novo teatro da cidade só foi erigido quatro décadas depois.

O VELHO ARSENAL Antes de 1755, as carreiras de construção da Ribeira das Naus tinham capacidade para construir seis navios em simultâneo, mas o terramoto destruiu-as por completo. O antigo Arsenal de Marinha foi das primeiras reconstruções depois do terramoto. Gizado por Eugénio dos Santos, ocupou antigos espaços do Palácio dos Cortes Reais, perto da Casa da Ópera que encantara a família real. Em 1769, ficou concluída a Sala do Risco (ou Casa do Risco das Reais Obras Públicas), verdadeiro gabinete de guerra dos projectistas da reconstrução da cidade. No século XX, a Marinha transferiu o arsenal para o Alfeite, na margem sul do Tejo, e aterrou o dique na sequência da abertura da Avenida Ribeira das Naus, mantendo as velhas instalações. Actualmente, as obras de expansão do metropolitano para o Terreiro do Paço marcam o cenário.

belém

Naquela manhã de desgraça, o rei fora protegido pela fortuna, que o induzira a dormir nas Reais Casas de Campo de Belém. A família real sobreviveu incólume e rapidamente mandou erguer a Real Barraca da Ajuda. Só no início do século XIX, quase 50 anos depois, o Palácio da Ajuda começou a ganhar forma.

LISBOA REINVENTA-SE Talvez mais nenhuma zona da cidade ilustre tão bem os pontos de contacto e de divergência entre a Lisboa oitocentista e a modernidade como Belém. O Mosteiro dos Jerónimos mantém a sumptuosidade manuelina e continua a ser o pólo de atracção de fiéis e turistas. Os carris de eléctrico, o alcatrão da estrada e os comboios para visitantes dão conta da inevitável transformação tecnológica. Lisboa reinventa-se. Hoje como há 250 anos.

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