Dolmen de Antelas

Está para a arte pré-histórica em território português como o tecto da Capela Sistina está para a arte renascentista italiana. Em Antelas, há um prodígio da criatividade humana.

Texto: Pedro Sobral de Carvalho

Muito próximo da povoação de Antelas, no concelho de Oliveira de Frades, encontra-se uma verdadeira jóia da arte mundial: o dólmen de Antelas. Classificado como Monumento Nacional, é o expoente da arte megalítica europeia, não existindo outro monumento conhecido que possua um tão grande e preservado conjunto de motivos pintados e gravados. É, provavelmente, o dólmen português mais conhecido internacionalmente. A sua importância prende-se, sobretudo, com o facto de ostentar um conjunto de fantásticos motivos pintados a vermelho e preto no interior da câmara funerária.

Ao penetrarmos no interior deste dólmen, mergulhamos num mundo onde a magia dos símbolos nos envolve e emociona. Grande parte dos motivos encontra-se emoldurada por fiadas verticais de triângulos sobrepostos e linhas serpentiformes. Destaca-se o esteio de cabeceira que ostenta uma misteriosa figura rectangular de cor vermelha debruada a preto sobre a qual se encontra o famoso “pente” que mais não deve ser do que a representação de um toucado (talvez de um xamã). À esquerda, noutro esteio, encontra-se uma das mais belas representações de uma figura humana da Pré-História europeia e à direita a representação de um sol. Estes são apenas alguns das dezenas de motivos pintados com a mestria de quem sabia o que fazia.

Dolmen de Antelas

Reprodução de todos os signos e figuras desenhados no interior do Dólmen de Antelas. Ilustração baseada no levantamentos de Santos, Cruz e Barbosa (2011).

As pinturas foram colocadas a descoberto pela primeira vez em 1956 como resultado das escavações arqueológicas desenvolvidas por Luís de Albuquerque e Castro, Octávio da Veiga Ferreira e Abel Viana.

Estes mesmos autores, conscientes da importância do seu achado e da sua incapacidade de preservar tão valioso património, optaram por tornar a cobrir o monumento de forma a preservar as pinturas.

Estas só tornariam a ver a luz do dia quase 40 anos mais tarde, entre 1993 e 1995, em resultado de trabalhos arqueológicos, consolidação e restauro, no âmbito de um projecto promovido então pelo Instituto Português do Património Arqueológico e Arquitectónico, pela Câmara Municipal de Oliveira de Frades e pelo Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Actualmente, encontra-se em curso um projecto de restauro e valorização do monumento promovido pela autarquia de Oliveira de Frades.

Dolmen de Antelas mapa

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