Charlie Hamilton James 

Quem porfia sempre alcança.

Texto: Marie-Amélie Carpio

Charlie Hamilton James era um espectador regular da migração dos gnus no Serengeti, mas a busca da imagem perfeita estava a tornar-se traumática. “Quando se está a fotografar o ecossistema do Serengeti, há uma imagem indispensável: a dos gnus a atravessar o rio Mara”, explica o fotógrafo. Fotografá-los, no entanto, é difícil. “É difícil conseguir algo um pouco diferente de todas as fotografias captadas anteriormente.” Em 2020, após sete semanas no local, o fotógrafo ainda não tinha “nada de especial”.

No final de Setembro, a maior parte das travessias já tinha acontecido. Charlie deu a si próprio mais uma semana para captar o momento, mas voltou a não ter sucesso. No último dia, meia hora antes do pôr do Sol, uma manada de gnus surgiu junto do rio.

“Os animais precisam de criar coragem e isso pode demorar um dia”, explica. “As hipóteses de acontecer algo minutos antes do pôr do Sol eram quase nulas.” Quando Charlie começou, resignadamente, a arrumar o equipamento, Ekai, o motorista, gritou:

«Charlie, eles estão a mover-se de novo!» O fotógrafo ergueu os olhos para ver a manada a correr para os arbustos do outro lado do rio. Os animais pararam brevemente e amontoaram-se na margem, levantando poeira. Por fim, um dos gnus avançou e o grupo entrou na água. “Acho que não tirei o dedo do botão do obturador durante dez minutos”, diz. “A travessia foi épica, dramática e bela entre a poeira dourada levantada pelos cascos e iluminada pelo sol poente. Tirei centenas de fotografias e sabia que, entre elas, estaria a imagem desejada.”

Charlie Hamilton James

Charlie Hamilton James especializou-se em fotografia de vida selvagem e ambiental. Fotografa em Masai Mara há 25 anos.

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