criaturas da noite

O amor juvenil pelos dinossauros é bem visível nesta imagem de um Amargasaurus a subir a escadaria de um centro comercial abandonado em Hawthorne, na Califórnia.

Usando a luz como pincel e a escuridão como tela, um fotógrafo cria trabalhos de fantasia.

Texto: Catherine Zuckerman

Fotografia: Darren Pearson

Um encontro casual com um livro de mesa lançou o designer gráfico Darren Pearson num novo percurso artístico. Um elemento em particular captou a sua atenção: uma fotografia a preto e branco de Pablo Picasso a trabalhar, datada de 1949. Em vez de um pincel, Picasso usava uma luz para “pintar” em pleno ar. “Fiquei encantado”, diz Darren. “Interroguei-me como tal seria possível.”

O fotógrafo Gjon Mili conseguiu captar Picasso a criar objectos com luz seleccionando uma velocidade de obturador baixa na sua máquina fotográfica. Darren Pearson, fundador da empresa de pintura com luz Dariustwin, utiliza agora essa mesma técnica de longa exposição, mas duplica a componente artística, captando as imagens e pintando os seus protagonistas. E só trabalha durante a noite.

Darren começa por apoiar a máquina fotográfica num tripé, apontando-a para o plano de fundo pretendido. Depois, vestindo-se de preto para desaparecer na escuridão, coloca-se à frente da lente e começa a pintar. A sua ferramenta, que ele próprio desenhou e à qual chama Night-Writer, assemelha-se a um marcador com pontas de cores intermutáveis. Aos olhos de um observador ocasional, ele pode parecer freneticamente à procura das chaves com uma lanterna, mas na verdade está a desenhar uma imagem, em tamanho real, de uma figura, a partir da sua mente.

Várias musas são evidentes no trabalho deste artista. Os dinossauros aparecem com frequência: “É o meu Eu de 5 anos que queria ser paleontólogo”, brinca. As paisagens acidentadas também são recorrentes, sobretudo as da Califórnia, onde Darren vive numa cabana na floresta com a sua mulher, Jordan, e o filho pequeno, Jasper.

Darren sente-se também fascinado pelo tempo, não só pelas centenas de milhões de anos representados pelas formações rochosas, mas também pelo comparativamente breve tempo de exposição de 30 segundos. Até nesses curtos períodos ocorrem alterações subtis, afirma. “As estrelas deslocam-se, a Lua cria sombras. Temos uma evolução natural do tempo.”

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