rio paiva

Os passadiços do rio Paiva foram um dos primeiros equipamentos deste género implantados no interior do país.

Um rio especial, dezenas de geossítios, um passadiço e uma ponte pedonal: eis a recente para uma viagem inesquecível.

Texto: Artur Abreu Sá

O rio Paiva nasce na serra de Leomil, no concelho de Moimenta da Beira, e desagua no rio Douro, em Castelo de Paiva. É um dos mais importante afluentes da sua margem esquerda. Intersecta a região noroeste do território classificado pela UNESCO como Arouca Geoparque, desde Meitriz até Espiunca.

Se fosse possível recuar no tempo geológico cerca de dois milhões de anos, veríamos um rio distinto do actual, fluindo numa região então aplanada, mas que, paulatinamente, se foi encaixando, aproveitando as falhas e fracturas e erodindo as rochas, transportando os sedimentos e moldando a paisagem.

rio paiva

O facto de algumas das rochas intersectadas serem ricas em substâncias minerais, especialmente em ouro, incentivou a exploração romana há cerca de dois mil anos nestas margens. Pode observar os vestígios dessa actividade mineira junto da povoação de Janarde, visitando os geossítios “meandros do Paiva” e “conheiros de Janarde”.

Mais tarde e durante os Descobrimentos, o Paiva terá sido a principal via de escoamento dos troncos de castanheiro e carvalho que, cortados nestas serranias, se destinavam à construção de caravelas e naus no Porto. Existem ainda algumas referências orais à “arte de paivar”, que mais não seria do que a capacidade demonstrada por alguns indivíduos de caminhar sobre estes troncos rio abaixo e, munidos de varas com ganchos, conduzi-los ao destino. Essa tarefa pode actualmente ser replicada, de forma mais segura e como desporto de aventura, em rafting ou canoagem de águas bravas, naquele que é considerado o mais emblemático local para a sua prática em Portugal.

rio paiva

Na actualidade, o vale do Paiva é o principal foco de atracção turística do Arouca Geoparque. Ao longo das suas margens, poderá visitar um património natural biótico e abiótico singular e reconhecido internacionalmente. Além dos dois geossítios já referidos, são imperdíveis os estratos de quartzito verticalizados da “Livraria do Paiva”, em Janarde, ou o “Sítio de Mira Paiva” e os “icnofósseis de Cabanas Longas”, junto da povoação de Paradinha. A partir da ponte do Paiva, pode ainda planear a visita de mais cinco geossítios: “Garganta do Paiva”, “Cascata das Aguieiras”, “Praia Fluvial do Vau”, “Gola do Salto” e “Ocorrências geotectónicas de Espiunca”.

mapa rio paiva

Infografia de Anyforms Design

Para tal recorra aos Passadiços do Paiva, que o conduzem ao longo de 8,6 quilómetros pela margem esquerda do rio, desde a Praia do Areinho até Espiunca. Irá usufruir de uma infra-estrutura já galardoada pelos óscares do turismo mundial. Ao longo desse percurso, avista-se um património natural biótico onde pontificam uma flora e uma fauna de seres pouco comuns ou em vias de extinção, com especial destaque para os endemismos, que fazem hoje do vale do Paiva um Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000. Para que a descoberta e a aventura sejam completas, não deixe de vivenciar a experiência única de cruzar a “516 Arouca”, a ponte pedonal suspensa e transparente mais longa do mundo, que permite observar, com muita adrenalina à mistura, parte das belezas naturais do vale do Paiva. Afinal de contas, estará como que a pairar, a 170 metros de altura, sobre aquela que é a principal artéria natural desta região, uma verdadeira “aorta” do desenvolvimento sustentável do território.

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