Castro Laboreiro

Cercada de granito, como uma guarda de honra geológica, Castro Laboreiro mantém a simplicidade de outros tempos. Fotografia de Schlemmer.

Tal como os cães da raça castro laboreiro, a vila homónima mostrou a sua têmpera em tempos de guerra e um legado pré-histórico relevante.

Texto: Paulo Rolão

A vila castreja, entre o curso dos rios Minho e Lima, deteve uma posição periclitante durante as convulsões militares da Península Ibérica, quando mudou de mãos entre cristãos e muçulmanos até ficar sob o domínio de Afonso III de Leão. Este, por sua vez, doou a povoação ao conde Dom Hermenegildo e este adaptou o antigo castro para edificar um reduto defensivo que acabou por cair novamente na posse dos invasores do Norte de África até ser recuperado definitivamente por Dom Afonso Henriques, acabando por ser um bastião da linha defensiva nas disputas territoriais posteriores.

Os tambores da guerra já não se ouvem há muitos séculos e o castelo românico apresenta-se em estado ruinoso, embora ainda estejam bem presentes os alicerces da importância de antanho. É um ponto imprescindível de visita, mas não é só na época medieval que Castro Laboreiro apresenta o seu cartão-de-visita. Com efeito, existem seis dezenas de sítios arqueológicos nas imediações, um certificado de que a região foi habitada desde a pré-história, destacando-se as gravuras rupestres do Fieiral, as mamoas da Portela do Pau e da Corga das Antas e o altar de cremação do Alto da Cremadoura. O Trilho do Megalitismo de Castro Laboreiro, com 13,1km, é uma extraordinária experiência pedestre pela pré-história local.

Castro Laboreiro

Um passeio por Castro Laboreiro é também uma digressão por hábitos e costumes arreigados nas suas comunidades que os ecos da modernidade vão modificando. A agricultura e a pastorícia moldaram esta região, particularmente a condução de gado. A constante procura de bons terrenos de pasto alimentou uma transumância que, hoje, é mais uma reminiscência etnográfica do que uma realidade. Ficou porém o castro-laboreiro, uma raça de cão de montanha autóctone de Portugal e que representa uma das mais antigas da Península Ibérica. São cães extremamente ágeis e robustos e, apesar de menos possantes do que outras raças de cães pastores, as suas características físicas inatas tornaram-nos especialistas em escalar os montes da região e fiéis companheiros dos pastores. De alguma forma, são também repositórios de uma saga que se iniciou na pré-história de relação entre seres humanos e a natureza granítica que os rodeia.

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