golfinho

Uma população residente de duas dezenas e meia de roazes permite as actividades de observação de cetáceos no Sado.

Um grande macho de roaz-corvineiro pode medir quatro metros. Avistar um destes elegantes animais a nadar à proa de um barco é inesquecível.

Texto e fotografia: Luís Quinta

Várias gerações de golfinhos roazes têm-se mantido fiéis ao estuário do Sado durante décadas, adquirindo o estatuo de residentes. Actualmente, a população dos golfinhos roazes do Sado conta com 27 animais, entre machos, fêmeas reprodutoras, animais juvenis ou imaturos e crias nascidas no Verão de 2020.

Todos os animais estão identificados, pois as barbatanas dorsais têm marcas únicas, bem como outros sinais específicos de cada animal, que permitem reconhecer cada indivíduo. Sabe-se também o género de quase todos os golfinhos desta população. Por ser uma comunidade residente (uma das poucas existentes na Europa), é possível observar estes animais com uma regularidade quase infalível. Existem várias empresas que realizam passeios no estuário do Sado e mar adjacente para a observação destes cetáceos e a actividade prolonga-se do início da Primavera ao final do Outono, com algumas possibilidades no Inverno, quando a meteorologia ajuda.

Pelo caminho, é possível vislumbrar outras espécies de golfinhos (no mar), aves marinhas, peixes (tubarões e peixes-lua), entre outros animais. A viagem para o contacto visual com estes animais decorre num plano de água muito tranquilo, quer dentro do estuário quer na costa da Arrábida ou de Tróia. Não há enjoos em águas tão calmas. Existem operadores e embarcações com diferentes configurações, quer de tempo de passeio, tamanho da embarcação, propulsão, entre outras variáveis.

Apesar de ser residente há décadas, esta população tem enfrentado diversas adversidades, como a poluição, a perturbação e o ruído. Nos últimos anos, a conservação desta população justificou a limitação de licenças de actividade de observação de cetáceos, bem como a elaboração de um código de conduta para a aproximação e observação desta espécie. Num passeio de três horas, tanto poderá ver os golfinhos a socializar, a caçar (muito activos), em reprodução ou simplesmente tranquilos em navegação. Duas viagens no mesmo dia podem ter registos completamente distintos e convém não esquecer que estamos perante animais selvagens no seu dia-a-dia, pelo que os seus movimentos são imprevisíveis.

O avistamento de meia dúzia de golfinhos a nadar nas águas rasas e transparentes dos bancos de areia de Tróia com a serra da Arrábida como cenário de fundo constitui uma bela memória para toda a vida.

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