Ilhéu de Vila Franca do Campo

Numa era em que a visão aérea do território já não é exclusiva de seres alados, um anel perfeito desenha-se contra o azul profundo do Atlântico quando visto do ar.

Texto: António Luís Campos

Um dos ícones maiores dos Açores, o ilhéu de Vila Franca é também conhecido por Anel de Princesa, dada a lagoa perfeitamente circular que esconde no interior e que a maré enche de inacreditáveis cambiantes turquesa, acentuados pelo Sol a pique do meio-dia em dias de ondulação fraca.

O ilhéu ergue-se na costa sul de São Miguel e é Reserva Natural desde 1983, acolhendo uma importante colónia de cagarros, outro símbolo da vida selvagem do arquipélago. Neste pequeno ilhéu, reside metade da população mundial desta espécie sensível.

Para a maioria dos visitantes, a jornada começa na marina de Vila Franca do Campo, pacata localidade que se orgulha de ter sido a primeira capital da ilha, até à dramática erupção vulcânica que a soterrou parcialmente em 1522, levando consigo dezenas de vidas e deixando cicatrizes que perduram. Devido à crescente popularidade do destino, a partida madrugadora é avisada.

Ilhéu de Vila Franca do Campo

Infografia: Anyforms Design

De costas para a costa, amarras soltas, bamboleando ao sabor das ondas gentis de Verão, o barco lotado de espíritos expectantes atraca escassas centenas de metros adiante, periclitante, no pequeno ancoradouro. Já em terra, o visitante prossegue para o interior da caldeira, onde as águas cristalinas e pouco profundas, carinhosamente aquecidas pela corrente do Golfo, convidam a um mergulho. É literalmente mergulhar num vulcão, numa cratera com 150 m de diâmetro!

Mais acima, superando o desafio das rochas íngremes e vencido o medo reflexo das alturas, espreitam-se as instáveis escarpas únicas que o circuito mundial de cliff diving da Red Bull aqui popularizou com uma das suas mais espectaculares etapas e a única de onde se salta directamente da rocha para o mar. São 27 metros de adrenalina pura que alguns eleitos conseguem presenciar, de barco, ao largo, no dia do evento! Com uma carga humana diária limitada, a hora da partida chega inevitavelmente antes de o viajante estar disposto a abandonar o ilhéu. O crepúsculo anuncia-se, delineando em contraluz o Farilhão, rochedo afilado contíguo à ilha principal, qual sentinela protectora desta jóia geológica…

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