Estoi

O inimitável Palácio de Estoi recorreu a vários estilos arquitectónicos.

Um palácio, uma villa romana e uma aldeia. Assim é Estoi, no interior do concelho de Faro.

 Texto: Elisabete Rodrigues

Comecemos pelo mais antigo, as ruínas romanas de Milreu. Classificadas como monumento nacional desde 1910, são compostas por uma villa romana, com termas anexas, um templo, mausoléus e estruturas industriais e comerciais. Trata-se de um dos maiores complexos romanos existentes em Portugal, dotado de centro de interpretação e recepção. A entrada é paga e podem ser feitas visitas guiadas.

Os mosaicos, muitos deles representando motivos marítimos, como peixes e golfinhos, indicam que o seu proprietário seria um rico empresário romano com negócios na área das pescas e das conservas. Estes mosaicos foram sujeitos a restauro, operação terminada em Julho, devendo agora avançar-se para o restauro e consolidação do templo.

Situado a poucas centenas de metros da entrada de Estoi, Milreu inclui ainda uma casa quinhentista, construída por cima de parte das estruturas romanas. A casa é frequentemente palco de espectáculos.

No âmbito de um programa de valorização dos monumentos sob a sua tutela, a Direcção Regional de Cultura do Algarve promove um ciclo de eventos em Milreu, a que convém estar atento. Muitos dirigem-se às famílias e crianças.

Estoi

 

Ali bem perto, numa das pontas da aldeia e a convidar a uma caminhada, fica o Palácio de Estoi, transformado em Pousada de Portugal desde 2009, com a sua adaptação às novas funções (que implicou a construção de um novo corpo) a cargo do arquitecto Gonçalo Byrne.

Apesar de ser Pousada, o Palácio de Estoi (classificado como Imóvel de Interesse Público em 1977) pode ser visitado. É considerado um raro exemplo algarvio de uma antiga casa senhorial, utilizada principalmente nos períodos de veraneio, mas teve uma génese atribulada. Tendo tido origem numa quinta do século XVIII, fundada por Francisco de Pereira Coutinho, a construção do palácio começou em meados do século XIX pelo seu filho, Fernando de Carvalhal e Vasconcelos. Com a morte deste, as obras foram continuadas pelo seu irmão Luís Filipe, que morreu também antes da conclusão. Passando a propriedade para o irmão mais novo e irmãs, a quinta ficou ao abandono até à década de 1890, ano em que foi comprada por José Francisco da Silva, rico farmacêutico, feito visconde precisamente por ter conseguido terminar as obras, inaugurando o palácio em 1909. Mas logo o notável edifício haveria de ficar de novo abandonado, durante décadas.

E o que atrai os visitantes ao Palácio de Estoi? Desde logo, a sua riqueza arquitectónica e decorativa, combinando elementos dos estilos barroco, rococó, neoclássico e romântico. Os jardins, em três planos ligados por escadarias, revelam influências setecentistas, entre estatuetas, laranjeiras e palmeiras. Pela sua beleza, frescura e originalidade, ainda hoje são um dos locais favoritos para as fotografias dos casamentos.

Notável é a sala de baile, que ocupa o corpo central da casa, decorada com uma profusão de estuques, espelhos e pinturas. Há ainda o restaurante, instalado nas antigas cozinhas do palácio, que merece uma visita demorada… e degustativa.

Estoi

Quem vai a Estoi não pode deixar de passear pelas ruas. Comece por visitar o Largo Ossonoba ou a Ermida de Nossa Senhora do Pé da Cruz. Aprecie o curioso edifício do antigo Cinema Ossonoba, que abriu portas em 1950, por iniciativa do estoiense José de Jesus Zeferino.

A terminar, visite a igreja de fachada neoclássica, que é de construção mais antiga, mas foi afectada pelo terramoto de 1755. Destaca-se neste templo a sua escadaria, onde apetece sentar a descansar.

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