Caminha 

Em terras minhotas, muitas vilas e pequenas aldeias apelam aos sentidos, mas Caminha preenche-os na totalidade.

Texto: Paulo Rolão

Em tempos recuados, Caminha foi uma península. Hoje, ainda beneficia da sua localização invejável, com um campo de visão contínuo do rio Minho até à foz, do enquadramento com o rio Coura, com o imenso Atlântico à mão de semear e com o monte de Santa Tecla, já do lado de lá da fronteira e onde existe um castro celta, como pano de fundo.

A vila encontra-se a curta distância de outras jóias minhotas, como Valença, Monção, Ponte de Lima, Ponte da Barca, Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira, Arcos de Valdevez e Vilar de Mouros, além de terras quase incógnitas escondidas pelas montanhas e pelos vinhedos a perder de vista. Por isso, é uma excelente base de exploração do Minho em todas as estações.

Segundo vestígios arqueológicos e documentais, a vila teve diversos nomes desde a criação da sua certidão de nascimento: Estrabão e Plínio referiram-se a ela como Benis e Minium; na época de instalação dos suevos, estes deram-lhe o nome de Camenae ou Camina e, quando foi elevada a sede de condado, adquiriu a designação de Caput Minii. Chegou-se assim à actual Caminha, que cresceu em termos populacionais a partir do século XII, com a consolidação das fronteiras e o fim das incursões de piratas. A vila direccionou então os seus esforços para a pesca fluvial e marítima.

Caminha

Separada pelo rio Minho, a chamada raia húmida do Minho serve de fronteira. Do lado de lá, monte de Santa Tecla, em A Guarda, já na Galiza.

A região envolvente de Caminha é fértil em sítios arqueológicos, mas, quando se visita a vila, os traços são marcadamente de tempos recentes, destacando-se o centro urbano, uma praça em frente dos Paços do Concelho e que é o seu verdadeiro “rossio”, as artérias adjacentes pontuadas por igrejas, solares e mansões setecentistas onde o barroco ainda sustém afloramentos góticos e as ruas sinuosas decoradas com as típicas casas de dois andares e que cunham o núcleo medieval do antigo burgo onde assoma a Torre do Relógio, a única das três portas de entrada na vila que nos chegou.

Além da panorâmica urbana, Caminha guarda monumentos que fazem parte da sua matriz. Restam troços das velhas muralhas defensivas e do castelo, bem como a Igreja Matriz do século XV, a Igreja da Misericórdia do século XVI e o belo chafariz do Terreiro. A meio do rio fronteiriço, vale a pena visitar a pequena ilha de Ínsua, onde, além das ruínas do forte homónimo, pode apreciar-se a panorâmica com a refrescante brisa marítima como companheira. Foi aqui que o famoso aviador Charles Lindbergh amarou de emergência nos anos 1930.

mapa de caminha

Para lá do contexto urbano de Caminha, sobram espaços de lazer: para caminhadas, recomenda-se a marginal do rio até à mata do Camarido, que Dom Dinis mandou plantar, bem como uma incursão na praia da foz do Minho, no lugar onde o areal fluvial encontra o Atlântico. Os trilhos da Chã da Franqueira, do Cabeço do Meio-Dia e a Marginal de Seixas constituem opções de maior fôlego e exuberância natural.

Um serviço de ferry assegura a ligação na fronteira. Vista da água, com a sua sublime silhueta, Caminha mostra-se então ao mundo como inteiramente merece.

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