universidade de coimbra 

O epíteto de cidade estudantil cola-se a Coimbra como uma segunda pele, fruto do espírito da mais velha universidade portuguesa.

Em 1290, Dom Dinis assinou, na cidade de Leiria, o documento Scientiae thesaurus mirabilis para a criação de uma universidade. Tratava-se de uma medida de tal abrangência espiritual e de transmissão de conhecimento que o processo foi intermediado e confirmado pelo papa.

Embora a data da fundação da Universidade, sob o nome de Estudos Gerais, remonte a 1290, a instituição chegou a ser transferida para Lisboa (no actual Largo do Carmo) e só em 1537 se reinstalou em Coimbra, ocupando os edifícios do Paço Real na zona alta da cidade.

universidade de coimbra

Paço das escolas. Conjunto arquitectónico que engloba o núcleo histórico da universidade. O velho Paço Real de Dom Afonso Henriques foi sofrendo intervenções até ao século XVIII. Tem elementos góticos, manuelinos, renascentistas, maneiristas, barrocos, pombalinos e neoclássicos.

A sua localização dominava a velha urbe coimbrã, erguendo-se no alto da mesma colina onde, noutros tempos, se encontrava a alcáçova. Ainda hoje, passados tantos anos, a universidade continua a ser a referência obrigatória de Coimbra e o seu ex-líbris expressivo. Representa o pólo aglutinador de gente que a demandou e a verdadeira essência da tradição estudantil coimbrã.

A Universidade é um mundo ao qual se acede pela Porta Férrea que substitui a antiga porta fortificada e que conduz ao pátio de generosas dimensões, em cuja fachada direita se encontram os principais edifícios, a chamada Via Latina. Esta conduz aos Gerais, onde se realizam as aulas de Direito, mas também a outras dependências como a Sala do Capítulo, com os seus quadros que retratam diversos monarcas, e a Reitoria que, de tão profusamente decorada, acaba por reflectir o esplendor setecentista que reconfigurou a universidade.

universidade de coimbra

A fantástica colecção do Museu de Zoologia.

Apesar de hoje já pouco restar do antigo núcleo medieval que se confina essencialmente à fachada norte – o edifício recebeu diversas alterações e reformas ao longo dos tempos –, existem inúmeras divisões e salas de departamentos que merecem um olhar atento, pois são museus dentro de museus.

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A escadaria monumental subida por gerações.

A barroca Biblioteca Joanina do século XVIII é um tesouro nacional e um espaço único. A Capela de São Miguel exibe uma fachada manuelina invejada. As antigas salas de Ciências e Medicina são salões de recepção, transmitindo aos alunos e visitantes a aura do que significa estudar em Coimbra. E, por fim, a Sala dos Capelos recorda a antiga sala do trono, acolhendo ainda as mais significativas cerimónias académicas.

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A Alta de Coimbra vigia o Mondego e molda o temperamento.

O Laboratório Químico é um portal para uma viagem inesquecível no tempo. O Museu de Antropologia permite observar a fantástica colecção recolhida pelo naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira na Amazónia e a colecção anatómica evoca o ensino da medicina e a evolução do conhecimento das patologias humanas.

O visitante não deve resistir à subida à velha torre de 34 metros. O sino ali ostentado ficou para sempre conhecido na gíria estudantil com o nome de “cabra”. Da torre, avista-se toda a cidade e o Mondego a seus pés e pressente-se que existe muito por descobrir neste conjunto da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia, que foi classificada como Património Mundial em 2013.

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