Monsaraz

Monsaraz mudou muito em duas décadas, abraçando o turismo do grande lago.

Texto: Mário Rio

Com um perímetro superior a mil quilómetros, partilhado entre Portugal e Espanha, a albufeira do Alqueva pode ser admirada de muitos lugares, mas há um que oferece a melhor vista sobre a paisagem. Monsaraz.

Foi sede de concelho até esta ser transferida para Reguengos em meados do século XIX. A localização alcantilada não garantia espaço para crescimento e foi essa limitação que a manteve inalterada desde tempos imemoriais. A praça foi conquistada aos muçulmanos pela lendária figura de Geraldo Sem Pavor, mas regressaria ainda ao domínio dos almóadas depois de Dom Afonso Henriques ser derrotado em Badajoz. A alcáçova e as cinco torres quadrangulares que hoje a compõem datam do reinado de Dom Afonso III e a torre de menagem e a barbacã são do reinado de Dom Dinis.

A forma peculiar do terreiro do castelo é o resultado de uma intervenção dos habitantes que, já no início do século XIX, adaptaram a degradada praça de armas à prática de eventos tauromáquicos.

Hoje, Monsaraz é uma importante atracção turística e a maioria das suas habitações estão desocupadas ou foram convertidas em alojamento turístico, lojas de artesanato ou restaurantes. O casario com portas e janelas em ogiva está caiado de forma imaculada e, apesar de estar previsto que os automóveis fiquem do lado de fora das muralhas, há sempre algum morador ou turista que insiste em estacionar nas ruas estreitas do núcleo, quebrando a ilusão de termos viajado no tempo.

Embora o comércio de artesanato seja uma vocação turística, é importante reconhecer que, ao contrário de outros contextos de tradições inventadas, esta região tem uma longa história de produção oleira e de lanifícios. A oito quilómetros de Monsaraz, São Pedro do Corval reclama o título de maior centro oleiro do país. Nesta pequena aldeia, há mais de vinte olarias de fabrico artesanal.

Antes de lá chegar, vale a pena fazer um desvio até ao conjunto megalítico do Olival da Pega, constituído por uma necrópole colectiva associada a duas antas com datação anterior a 2500 a.C. Nas imediações, também se pode visitar o Cromeleque do Xarez, composto por pequenos menires e que foi deslocado da implantação original agora sob as águas da albufeira e o espectacular Menir da Bulhoa classificado como Monumento Nacional.

Se ficar até ao pôr do Sol, caminhe até à ermida de São Bento, erigida com donativos dos habitantes no século XVI, e assista daqui ao momento em que a luz solar se desvanece e se mistura com a iluminação do casario naquele azul forte que dura escassos instantes mas que perdura na memória de quem o testemunha.

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